ARGENTINA E PROTECIONISMO: UM VELHO PROBLEMA…
Argentina dificulta ainda mais as importações e é criticado por Brasil, Chile, Uruguai e Estados Unidos (Jorge Seadi) -
09/03/2011 – A partir de hoje, mais 200 produtos têm dificultadas suas importações na Argentina. Agora, são mais de 600 produtos e bens que têm restrições de importação na Argentina. Esta é mais uma tentativa do governo de Cristina Kirchner de diminuir o déficit da balança comercial. Carros de luxo, eletrodomésticos, celulares, bicicletas e têxteis precisam, agora, mais do que a chamada “licença automática” de importação (LNA). Aos produtos com restrições, a partir de hoje, juntam-se a proibição de importação das bonecas Barbie e a linha de jogos da marca Mattel.
Todos os produtos enquadrados na LNA precisam uma licença especial do Ministério da Indústria para poder entrar na Argentina. Este processo pode demorar até 60 dias a partir do momento em que o produto chega aos portos argentinos. Depois da crise de 2008 e 2009, o governo Kirchner determinou que 400 produtos estavam enquadrados na LNA. Fabricantes brasileiros e chineses foram os mais atingidos e o governo da China interrompeu a importação de soja alegando problemas sanitários.
Agora, as novas restrições — que incluem bens de capital (utilizados para a fabricação de outros produtos) como os bens intermediários, como autopeças, e de consumo como celulares, eletrodomésticos e calçados — também provocaram fortes reações dos países vizinhos como Uruguai, Chile e Brasil, também desagradou aos Estados Unidos.
Com as fortes reclamações do Brasil, a ministra da Indústria, Débora Giorgi se comprometeu a formar uma comissão para analisar o comércio bilateral entre os dois países. O presidente do Uruguai, José Mujica, também mostrou todo o seu descontentamento com a medida e Francisco Macri advertiu o governo argentino que poderá fechar a fábrica de automóveis Chery, chinesa, que tem os uruguaios como um dos principais acionistas. E para complicar ainda mais a já tensa relação com os Estados Unidos, diversos empresários americanos reclamaram da nova determinação da Argentina.
Internamente a associação que reúne os fabricantes de automóveis mostraram sua preocupação com a produção de veículos com a possível falta de peças que são importadas. Ao mesmo tempo, as indústrias internacionais resolveram não levar carros importados para o Salão do Automóvel, previsto para junho em Buenos Aires. Em janeiro deste ano, as importações cresceram 58% enquanto as importações tiveram um acréscimo de apenas 22%.
Além de dificultar as importações, o governo argentino decidiu também impedir a contratação de resseguros no exterior, além de reforçar os controles sobre as operações financeiras das casas de câmbio. O objetivo é evitar ao máximo a saída de divisas.